A floresta estava inquieta. Os animais estavam agitados. As árvores estavam conversando intensamente. Os ventos que sopravam entre as folhas anunciavam grandes problemas. Comecei a registrar esses acontecimentos esperando o pior.

Minha cabana se localiza ao centro da Floresta de Zehdlus, ao lado da região conhecida como fonte de vida. Um rio cristalino o qual acreditamos trazer a vida e a esperança para nossos dias. Dizem as histórias que foi a própria Deusa Loren quem modelou este rio, dando esse poder mágico tão apreciado.

Moro em minha cabana sozinha. Vivo da arte de controle da natureza. E meus vizinhos são os animais e criaturas que aqui vivem. Não me sinto triste por isso, pelo contrário, é uma honra viver entre esses seres.

Em uma tarde caminhei entre a floresta e seus rios em direção ao circulo das árvores, precisava falar com um grande amigo e sábio. Procurava o grande Beren Tasardur, um ente jovem entre os outros, mas com trezentos anos de histórias para contar.

A caminhada foi calma até o topo do monte conhecido como o circulo das árvores. Lá estava meu velho e bom amigo, observando a floresta majestosamente, em busca de problemas para serem resolvidos com sua brilhante sabedoria.

– Boa tarde querida Luma – falou Beren com a calmaria que era marcante entre os entes.

– Boa tarde Beren – fiz uma reverência.

Recebi o cumprimento de volta. Esse é o processo necessário para se ter permissão para conversar com os entes da floresta. Qualquer ser ou criatura que tentasse conversar com um ente sem essa reverência, era considerado um inimigo deles e da floresta conseqüentemente.

– O que faz você vir até aqui? – Tasardur se aproximou-se.

– Estou preocupada com o que está acontecendo na floresta. Os animais estão inquietos e a magia parece está desequilibrada – estava angustiada.

Senti a respiração calma do ente. Olhou lentamente para baixo em minha direção e se abaixou pegando-me com sua mão enraizada com folhas verdes. Levantou-me até seu ombro e me colocou sentada neles. Levantou uma de suas mãos e apontou para a floresta por cima da copa das árvores.

– O que você vê? – falou calmamente.

Procurei atentamente movimentações ou coisas fora do comum na floresta. Nada avistei. Olhei para fora da floresta em direção ao mar.

– Vejo um navio Élfico de guerra sendo carregado com suprimentos e armamento – fiquei assustada com a observação.

A muitos anos um navio de guerra Élfico não saía do nosso porto. Algo estava errado.

– Agora Luma – Beren respirou fundo e apontou para o horizonte – o que você vê?

Voltei a procurar atentamente o horizonte algum sinal. Não encontrei nada além do mar, frustrada, olhei para o Ente.

– Não vejo nada Beren.

Ele estremeceu por um instante, respirou profundamente enquanto alguns pássaros andavam em seus galhos.

– Com os olhos você não verá – ergueu um pouco sua cabeça para continuar – use seu poder Xamã.

Fechei lentamente meus olhos, invoquei os poderes da natureza para ver com os olhos dos pássaros que sobrevoavam o horizonte. E lá eu vi, sim, um navio de guerra anão navegando entre os mares se aproximando da terra de nossos antigos pais. Dentro estavam uma tripulação forte e determinada.

Abri meus olhos assustada. Seria muita coincidência ver dois navios de guerra em um único dia. Passei o que vi ao meu amigo Tasardur.

– Isso é apenas o início Luma.

Ele me colocou no chão lentamente. Observou por mais um instante o horizonte antes que suas próximas palavras fossem pronunciadas.

– A magia está difícil de ser controla devido um mal que aproximou-se nas terras de nossos antigos pais – buscou acalmar antes de prosseguir
– e eles estão confundindo o mal que devem se preocupar.

Fiquei extremamente confusa. Então não era um só problema, eram dois. Estava certa, a magia estava descontrolada na floresta e agora estava descobrindo a fonte de tal acontecimento.

– Vá Luma, avise Mélawen que não é com Sark que devem se preocupar, mas sim com Salazar.

Esse nome não me pareceu estranho. Cumprimentei reverentemente Beren antes de sair rapidamente floresta a dentro. Corri além do que minhas pernas permitissem até chegar em minha cabana.

Busquei freneticamente entre os livros de Dragões e Lendas sobre esse nome. Passava página por página em uma leitura superficial. Tinha certeza de ter lido isso a poucos anos em algum desses livros.

– ACHEI – Gritei entusiasmada.

Comecei a ler em voz alta, tentando gravar as palavras.

– Salazar, um filho da perdição. Gerado entre um Dragão na forma humanóide e uma mulher humana. Pertencente a raça dos Meio Dragões. Salazar aterrorizou muitos planetas em busca da espada sombria. Acompanhado sempre de seus Guardiões, Salazar possui o domínio do fogo. O mesmo fugiu de muitas batalhas e permanece adormecido até que seu mestre o chame.

– Então é isso, algo convocou Salazar e ele acordou – Olhei para fora da cabana buscando respostas.

– Preciso correr e avisar Mélawen conforme Beren me solicitou.

Peguei o necessário para uma pequena viagem de um dia até a fortaleza de Zehdlus, onde Mélawen certamente estaria com seu conselho. Não esperei nem se quer um segundo a mais e iniciei minha marcha apressada até a fortaleza.

A viagem era cansativas, com muitas trilhas e obstáculos exigindo o desvio do caminho principal. Enquanto caminhava escutei entre as árvores alguém se aproximando velozmente. Parei atenta aos sons de um galope médio. Um ser apareceu entre as árvores, o grande Kentar, um centauro astuto e protetor da floresta.

– O que lhe trás até mim Kentar? – Sorri gentilmente.

– Ouvi tudo o que Beren e você conversavam, acredito que os próximos acontecimentos não irão atingir somente vocês Elfos, mas a nós seres da floresta também. Aceite minha ajuda.

– Será um prazer ter você em nossa luta – Abracei o peitoral de Kentar.

O mesmo pediu para que montasse nele. Saímos em disparada entre a floresta. A viagem que era para ser realizada em um dia se encerrou em poucas horas.

Saímos lentamente da floresta densa até chegar na floresta. Alguns observadores nos olhavam atentos com seus arcos Élficos bem entalhados. Reconheci o líder desse grupo, era Varis, um arqueiro perigoso. Era capaz de atirar uma segunda flecha enquanto a primeira ainda viajava em direção ao seu alvo.

Passamos sem grande problemas até o trono da regente Mélawen. A mesma estava sentada nos observando, mostrava saber que estávamos vindo falar com ela. Adiantou-se indo em direção a nós.

– Luma e Kentar, o que devo a honra de terem vindo de tão longe – um sorriso gentil e belo nos recepcionou.

– Beren solicitou a entrega de uma mensagem – fiz uma breve reverência.

– Sigam-me – rapidamente Mélawen no levou para um cômodo da fortaleza.

Entramos na magnífica sala de reuniões da fortaleza. Detalhes eram vistos em cada canto. Uma mesa redonda estava no centro demonstrando não haver ninguém mais importante que outro nas reuniões. Todas as opiniões e sugestões deveriam ser ouvidas e avaliadas. Mélawen apontou as cadeiras para sentarmos. Claro que Kentar não podia sentar, então apenas afastou uma cadeira e ocupou o espaço anteriormente destinado a cadeira.

– Pode me passar a mensagem – falou delicadamente.

– Beren nos alertou aos problemas que vem acontecendo além de nossas terras – respirei fundo, tentando não demonstrar muita agitação – falou sobre Sark.

– Sim, estou sabendo do ocorrido em nossa antiga terra. Sark atacou a Princesa Lilian, filha de Thereus – Olhou para Kentar – esse é o motivo de estarmos preparando uma tripulação, queremos ajudar os humanos nesse combate que demonstra ser perigoso contra nosso inimigo esquecido.

– É desse inimigo esquecido que Beren queria alertar – fechei meus olhos por um instante, tentando organizar as ideias – o inimigo esquecido não é Sark, mas sim Salazar.

O último nome pareceu tomar conta de Mélawen. Seu semblante esfriou rapidamente. Em um salto levantou da cadeira e buscou uma solução imediata, mas parecia não encontrar ao redor.

– Não iremos partir amanhã, mas hoje – Foram as últimas palavras de Mélawen antes de sair da sala as pressas.

Assim se preparamos para viajar no mesmo dia. Foram escolhidos os melhores entre os que estavam disponíveis para participarem dessa jornada que prometia ser perigosa e cruel.

Não sei bem se estou preparada para essa jornada, mas aceitei instintivamente assim como a maioria dos tripulantes. A única coisa que sabemos é que podemos não voltar. Que Loren a poderosa Deusa da pureza e esperança nos dê força para lutar. Assim começamos nossa viagem navegando entre os mares bravios de Kingdoms.

A floresta estava inquieta. Os animais estavam agitados. As árvores estavam conversando intensamente. Os ventos que sopravam entre as folhas anunciavam grandes problemas. Comecei a registrar esses acontecimentos esperando o pior.

Minha cabana se localiza ao centro da Floresta de Zehdlus, ao lado da região conhecida como fonte de vida. Um rio cristalino o qual acreditamos trazer a vida e a esperança para nossos dias. Dizem as histórias que foi a própria Deusa Loren quem modelou este rio, dando esse poder mágico tão apreciado.

Moro em minha cabana sozinha. Vivo da arte de controle da natureza. E meus vizinhos são os animais e criaturas que aqui vivem. Não me sinto triste por isso, pelo contrário, é uma honra viver entre esses seres.

Em uma tarde caminhei entre a floresta e seus rios em direção ao circulo das árvores, precisava falar com um grande amigo e sábio. Procurava o grande Beren Tasardur, um ente jovem entre os outros, mas com trezentos anos de histórias para contar.

A caminhada foi calma até o topo do monte conhecido como o circulo das árvores. Lá estava meu velho e bom amigo, observando a floresta majestosamente, em busca de problemas para serem resolvidos com sua brilhante sabedoria.

– Boa tarde, querida Luma – falou Beren com a calmaria que era marcante entre os entes.

– Boa tarde, Beren – fiz uma reverência.

Recebi o cumprimento de volta. Esse é o processo necessário para se ter permissão para conversar com os entes da floresta. Qualquer ser ou criatura que tentasse conversar com um ente sem essa reverência, era considerado um inimigo deles e da floresta, conseqüentemente.

– O que faz você vir até aqui? – Tasardur aproximou-se.

– Estou preocupada com o que está acontecendo na floresta. Os animais estão inquietos e a magia parece estar desequilibrada – estava angustiada.

Senti a calma do ente. Olhou lentamente para baixo em minha direção e se abaixou pegando-me com sua mão enraizada com folhas verdes. Levantou-me até seu ombro e me colocou sentada neles. Levantou uma de suas mãos e apontou para a floresta por cima da copa das árvores.

– O que você vê? – falou calmamente.

Procurei atentamente movimentações ou coisas fora do comum na floresta. Nada avistei. Olhei para fora da floresta em direção ao mar.

– Vejo um navio Élfico de guerra sendo carregado com suprimentos e armamento – fiquei assustada com a observação.

Há muitos anos um navio de guerra Élfico não saía do nosso porto. Algo estava errado.

– Agora Luma – Beren respirou fundo e apontou para o horizonte – o que você vê?

Voltei a procurar atentamente o horizonte algum sinal. Não encontrei nada além do mar, frustrada, olhei para o Ente.

– Não vejo nada, Beren.

Ele estremeceu por um instante, respirou profundamente enquanto alguns pássaros andavam em seus galhos.

– Com os olhos você não verá – ergueu um pouco sua cabeça para continuar – use seu poder Xamã.

Fechei lentamente meus olhos, invoquei os poderes da natureza para ver com os olhos dos pássaros que sobrevoavam o horizonte. E lá eu vi, sim, um navio de guerra anão navegando entre os mares se aproximando da terra de nossos antigos pais. Dentro estavam uma tripulação forte e determinada.

Abri meus olhos assustada. Seria muita coincidência ver dois navios de guerra em um único dia. Passei o que vi ao meu amigo Tasardur.

– Isso é apenas o início, Luma.

Ele me colocou no chão lentamente. Observou por mais um instante o horizonte antes que suas próximas palavras fossem pronunciadas.

– A magia se tornou difícil de ser controlada devido um mal que aproximou-se nas terras de nossos antigos pais – buscou acalmar antes de prosseguir – e eles estão confundindo o mal que devem se preocupar.

Fiquei extremamente confusa. Então não era um só problema, eram dois. Estava certa, a magia estava descontrolada na floresta, e agora estava descobrindo a fonte de tal acontecimento.

– Vá Luma, avise Mélawen que não é com Sark que devem se preocupar, mas sim com Salazar.

Esse nome não me pareceu estranho. Cumprimentei reverentemente Beren antes de sair rapidamente floresta a dentro. Corri além do que minhas pernas permitissem até chegar em minha cabana.

Busquei freneticamente entre os livros de Dragões e Lendas sobre esse nome. Passava página por página em uma leitura superficial. Tinha certeza de ter lido isso há poucos anos em algum desses livros.

– ACHEI – Gritei entusiasmada.

Comecei a ler em voz alta, tentando gravar as palavras.

– Salazar, um filho da perdição. Gerado entre um Dragão na forma humanóide e uma mulher humana. Pertencente a raça dos Meio Dragões. Salazar aterrorizou muitos planetas em busca da espada sombria. Acompanhado sempre de seus Guardiões, Salazar possui o domínio do fogo. O mesmo fugiu de muitas batalhas e permanece adormecido até que seu mestre o chame.

– Então é isso, algo convocou Salazar e ele acordou – Olhei para fora da cabana buscando respostas.

– Preciso correr e avisar Mélawen conforme Beren me solicitou.

Peguei o necessário para uma pequena viagem de um dia até a fortaleza de Zehdlus, onde Mélawen certamente estaria com seu conselho. Não esperei nem se quer um segundo a mais e iniciei minha marcha apressada até a fortaleza.

A viagem era cansativa, com muitas trilhas e obstáculos exigindo o desvio do caminho principal. Enquanto caminhava escutei entre as árvores alguém se aproximando velozmente. Parei atenta aos sons de um galope médio. Um ser apareceu entre as árvores, o grande Kentar, um centauro astuto e protetor da floresta.

– O que lhe trás até mim Kentar? – Sorri gentilmente.

– Ouvi tudo o que Beren e você conversavam, acredito que os próximos acontecimentos não irão atingir somente vocês Elfos, mas a nós seres da floresta também. Aceite minha ajuda.

– Será um prazer ter você em nossa luta – Abracei o peitoral de Kentar.

O mesmo pediu para que montasse nele. Saímos em disparada entre a floresta. A viagem que era para ser realizada em um dia se encerrou em poucas horas.

Saímos lentamente da floresta densa até chegar na floresta. Alguns observadores nos olhavam atentos com seus arcos Élficos bem entalhados. Reconheci o líder desse grupo, Varis, um arqueiro perigoso. Era capaz de atirar uma segunda flecha enquanto a primeira ainda viajava em direção ao seu alvo.

Passamos sem grande problemas até o trono da regente. Mélawen estava sentada nos observando, mostrava saber que estávamos vindo falar com ela. Adiantou-se indo em direção a nós.

– Luma e Kentar, ao que devo a honra de terem vindo de tão longe? – um sorriso gentil e belo nos recepcionou.

– Beren solicitou que lhe trouxesse uma importante mensagem – fiz uma breve reverência.

– Sigam-me – rapidamente Mélawen no levou para um cômodo da fortaleza.

Entramos na magnífica sala de reuniões da fortaleza. Detalhes eram vistos em cada canto. Uma mesa redonda estava no centro demonstrando não haver ninguém mais importante que outro nas reuniões. Todas as opiniões e sugestões deveriam ser ouvidas e avaliadas.  Kentar não podia sentar, então apenas afastou uma cadeira e ocupou o espaço anteriormente destinado a cadeira.

– Pode me passar a mensagem – falou delicadamente.

– Beren nos alertou aos problemas que vem acontecendo além de nossas terras – respirei fundo, tentando não demonstrar muita agitação – falou sobre Sark.

– Sim, estou sabendo do ocorrido em nossa antiga terra. Sark atacou a Princesa Lilian, filha de Thereus – Olhou para Kentar – esse é o motivo de estarmos preparando uma tripulação, queremos ajudar os humanos nesse combate que demonstra ser perigoso contra nosso inimigo esquecido.

– É de um inimigo esquecido que Beren queria alertar – fechei meus olhos por um instante, tentando organizar as ideias – o inimigo esquecido não é Sark, mas sim Salazar.

O último nome pareceu tomar conta de Mélawen. Seu semblante esfriou rapidamente. Em um salto levantou da cadeira e buscou uma solução imediata, mas parecia não encontrar ao redor.

– Não iremos partir amanhã, mas hoje. Gostaria que viessem conosco – Foram as últimas palavras de Mélawen antes de sair da sala as pressas.

Assim nos preparamos para viajar no mesmo dia. Foram escolhidos os melhores entre os que estavam disponíveis para participarem dessa jornada que prometia ser perigosa e cruel.

Não sei bem se estou preparada para essa jornada, mas aceitei instintivamente assim como a maioria dos tripulantes. A única coisa que sabemos é que podemos não voltar. Que Loren a poderosa Deusa da pureza e esperança nos dê força para lutar. Assim começamos nossa viagem navegando entre os mares bravios de Kingdoms.

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